Quer ver um livro, filme, música ou até festa fazer sucesso? Basta mexer direitinho aqueles botões da nostalgia.

De acordo com  Erica Hepper, professora de psicologia da Universidade de Surrey, na Inglaterra, a nostalgia é um tipo de sentimento que nos aquece por causa das boas memórias do passado, mas que também é um pouco agridoce, já que também nos lembra de que esse tempo foi embora e não volta mais. E aí, sabendo disso, fica fácil entender porque livros como “Jogador Número 1” – que gira em torno da cultura pop dos anos 80 – vendem tanto hoje em dia e porque filmes como De volta para o futuro e festas Ploc, com hits dos anos 90, atraem o interesse de tantas pessoas.

No entanto, verdade seja dita: qualquer produção que se preze não pode apenas ficar fazendo alusão ao passado para dar certo. É preciso entregar algo a mais. E é por isso, por causa dessa mistura de nostalgia com pequenas doses de novidade, que Stranger Things, a nova série da Netflix, funciona tão bem.

Stranger Things: menos homenagem, mais inspiração

O pôster com jeitão de coisa do Drew Struzan

O pôster com jeitão de coisa do Drew Struzan

Ambientada no ano de 1983 e passada em uma pequena cidade chamada Hawkins, Stranger Things mostra a história de um garoto chamado Will (Noah Schnapp) que desaparece de forma misteriosa ao voltar para casa depois de uma partida de Dungeons & Dragons com os amigos Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo). Um desaparecimento que irá envolver sua mãe (Winona Ryder), a polícia local, órgãos secretos do Governo e muitas, muitas teorias da conspiração.

Acha que já viu isso por aí? Pois já deve ter visto mesmo.

Com referências bastante claras a filmes como E.T, Goonies, livros como It – Uma Obra Prima do Medo e até episódios de séries como Arquivo X e The Twilight Zone, Stranger Things não tenta ser uma série diferentona e nem mesmo reinventar a roda. Nada disso! E é justamente por não mentir em momento algum sobre a sua inspiração que ela se torna tão interessante.

Criada pelos gêmeos Matt Duffer e Ross Duffer (os Duffer Brothers), caras com 32 anos de idade criados à base de Amblin Entertainment e muita cultura pop oitentista, a série adota todos os elementos clássicos dos filmes de aventura/ficção/suspense para família dos anos 80: a pequena cidade do interior – Poltergeist -, o grupo de crianças que encaram algo sobrenatural – E.T – , um caso de amor entre adolescentes no colégio – Gatinhas e Gatões – e até a mãe solteira de um dos personagens principais – E.T, novamente. Só que, ao contrário do que acontece em produções que apenas tentam emular a fórmula dos filmes dos anos 80 – olá, Super 8, um abraço! -, tudo isso aqui faz sentido é usado para mover a história para frente.     

Conspirações!

Apesar de Stranger Things remeter a nossa memória rapidamente à E.T logo nos minutos iniciais, o lance é que a história (como vamos descobrindo no decorrer dos episódios) tem mais a ver com teorias da conspiração envolvendo o Governo norte-americano do que com extraterrestres – apesar disso também ser considerado uma conspiração por muita gente. Principalmente por causa da personagem 11 (Millie Bobby Brown), a jovem com poderes especiais que conhecemos logo no primeiro episódio da série.

Projeto MKULTRA

Nascida de um projeto chamado  MKUltra – tido como real -, onde ~supostamente~ o Governo usava drogas (como o LSD) e métodos de tortura para tentar produzir “superhumanos”, a pequena 11 tem sua história misturada com a dos jovens Mike, Lucas e Dustin, servindo como uma ferramenta para eles na busca pelo amigo desaparecido. E como teoricamente esse projeto havia sido encerrado no meio dos anos 70, faz sentido com a história que tudo seja ambientado logo no comecinho dos anos 80.  

Os destaques da produção

Winona Ryder com um dos destaques de Strange Things

Winona Ryder com um dos destaques de Strange Things

Agora, como foi dito no começo do texto, nada em Stranger Things funcionaria se a série não entregasse nada de bom e/ou de novo.

Mas ela entrega.

Apresentando um dos melhores papeis de sua carreira, Winona Ryder merece aplausos com sua interpretação de Joyce Byers, a mãe do jovem desaparecido que tem consciência total de como sua situação é extremamente surreal – ela é a única a conseguir fazer contato com o filho desaparecido… e através de luzinhas que piscam dentro de casa! -, mas que não deixa de lado sua convicções.

Além dela, o grupo de pequenos protagonistas da série também merece destaque, principalmente o jovem Mike e sua amiga 11, que, além de serem ótimos atores também apresentam uma ótima – e apaixonante- química juntos em cena.

Outro ponto que merece destaque em Stranger Things é o fato de que os personagens, em boa parte do tempo, não tomam decisões burras. Aliás, além de não tomarem decisões burras, eles costumam agir bem rápido para resolver seus problemas – como no momento em que Dustin rapidamente se liga que pode usar uma bússola de forma pouco convencional para levar o grupo até um local ou quando o chefe de polícia Hopper (David Harbour) logo ao acordar no sofá imagina que aquilo ali pode estar errado.  E isso, provavelmente é a parte “nova” que Stranger Things entrega, já quem esse tipo de produção tai algo que não é comum de acontecer.

E tudo isso coberto com uma boa camada de referências, indo desde os óbvios pôsters de Evil Dead e Tubarão que vemos nos quartos – aliás, vale dizer que a série iria se chamar Montauk e seria passada em uma cidade costeira, assim como Tubarão (filme favorito dos irmãos Duffer) – até a roupa usada por 11 em um determinado momento e que é bem inspirada naquela usada pelo ET do clássico de Spielberg.

Com 8 episódios e uma boa mistura de ficção, comédia, aventura e nostalgia, Stranger Things é uma deliciosa surpresa da Netflix, que provavelmente deve ter cruzado muitas informações de costumes de seus assinantes para descobrir que os anos 80 faz mais sucesso do que qualquer outro em seu catálogo. Mas isso também talvez seja só teoria da conspiração… ou não?

E aí, já conferiu a série? Então conte para gente o que achou.

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