Texto com spoilers leves dos 3 primeiros filmes da franquia

Lançada em 2002, A identidade Bourne é uma daquelas produções que podemos dizer que mudaram o jogo do cinema.

Baseado em um personagem de Robert Ludlum (criado ainda na década de 80), o filme colocava o ator Matt Damon na pele de um sujeito sem memória que é resgatado do meio do mar e, ao longo de 2 sequências, descobrimos que na real ele é um puta soldado barra espião criado por um projeto secreto do Governo. Um filme bem bacana que acabou redefinindo o gênero “espionagem”, fazendo com que até os 007 dali em diante tivessem uma pegada diferente, mais pé-no-chão.

Infelizmente Jason Bourne, 5º filme da saga, novamente dirigido pelo excelente Paul Greengrass (diretor de Supremacia e Ultimato Bourne), passa longe do realismo e da inteligência dos 3 primeiros filmes e até mesmo do estilo criado pelo diretor e seu fieis escudeiros de roteiro e edição.

Mas, antes de falar disso, vamos por partes. Começando pela sinopse.

A história de Jason Bourne

Passado algum tempo depois de Ultimato…, Jason Bourne mostra como vive agora o protagonista da série, que precisa ficar escondido para evitar maiores confusões – como ser perseguido pela CIA e coisas desse tipo. No entanto, tudo muda depois que a ex-agente Nicky Parsons (Julia Stiles) descobre um baita segredo um segredo envolvendo não apenas alguns programas do exército norte-americano como também algo envolvendo o passado da família Bourne.

Os problemas de roteiro

Bem, de cara dá para dizer que a motivação encontrada pelo roteirista Christopher Rouse (velho chapa do diretor, que, aliás, também assina o roteiro) para trazer o nosso herói de volta não é lá das melhores. Principalmente quando uma das primeiras falas do personagem de Matt Damon em cena é: “agora eu me lembro de tudo”. Ah, mas não lembra mesmo, cara-pálida! Se lembrasse de tudo, tudinho mesmo, o terceiro filme acabaria bem diferente.

Só que não existe apenas esse problema no roteiro.

Se por um lado nos 3 primeiros filmes a história era conduzida sem subestimar a inteligência da audiência, aqui a coisa muda de figura. Jason Bourne é filmado por uma equipe do governo, a câmera mostra o vídeo e logo aparece alguém falando “Jason Bourne”! Sim, nós sabemos que é ele. Alguém entra em uma pasta criptografada de um pen drive atrás de um arquivo: tentar digitar algum código? Seguir aquela linha realista da Mr. Robot? Que nada! O sujeito só precisa digitar “informações sobre tal pessoa” e a criptografia vai para as cucuia.

É muita preguiça para um roteiro só – o qual nem é exagero dizer que teve sua estrutura totalmente chupada do segundo filme.

O que diabos está acontecendo?

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Bourne no meio da ação (difícil de entender) em Atenas

Outro grande problema: a edição, também assinada por Rouse.

Estranho, o sujeito levou um Oscar para casa com o trabalho que entregou em Ultimato Bourne, mas parece que não entendeu a própria glória.

Tal como nos outros filmes, aqui a edição também é frenética, seguindo o ritmo da história. Porém, antes dava para entender o que estava acontecendo em cena, não é essa confusão que vemos em Jason Bourne. Tanto que em alguns momentos – como na cena de ação do começo da projeção -, só dá para entender o que está rolando por causa do que é dito por alguns personagens. E isso sem falar da fotografia mega escura que às vezes até impede que saibamos o que de fato está sendo mostrado na tela.

Vale dizer até que a luta final do filme é extremamente prejudicada por causa dessa fotografia, já que não dá para entender muito bem quem tá batendo em quem (ou com quê!) quando não conseguimos enxergar os frames da projeção, não é mesmo?  

Salvando o que dá para salvar

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Alicia Vikander, um dos poucos pontos positivos do filme

Mas não dá para falar que tudo é ruim na produção.

O elenco, que ainda conta com Vincent Cassel (de Irreversível), Riz Ahmed (da série The Night Of) e Tommy Lee Jones é bem interessante e Matt Damon continua sendo o único Bourne que interessa no cinema (foi mal, Jeremy Renner).

Fora isso, até que tem uma ou outra cena que salva, como a sequência durante uma manifestação em Atenas e a gigantesca perseguição que acontece na última parte do longa – que mostra que os carros da SWAT são o batmóvel do mundo real.

O problema é que até essas cenas não tem muito a ver com o Bourne de raiz, o Bourne moleque que a gente conhece. Elas combinariam mais com um Velozes e Furiosos ou alguma brincadeira de mau gosto do Michael Bay, não com o realismo esperado dessa franquia. Um grande defeito desse filme e que não tem nenhum outro culpado senão o próprio Paul Greengrass, que tanto queríamos ver de volta na cadeira de diretor, mas que parece ter perdido totalmente a mão no meio do caminho.

Sem contar com o estilo dos primeiros filmes (e nenhuma sacada genial envolvendo revistas ou lápis), Jason Bourne é apenas um filme ok que passaria completamente despercebido nos cinemas se não viesse com o pedigree de uma das melhores franquias mais legais do começo dos anos 2000.

 

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