Para começar a crítica desse desastre que é Esquadrão Suicida, acho que vale a pena voltar um pouco no tempo. Mas não muito, só uns 20 e poucos anos atrás, lá para 1989, quando Tim Burton resolveu dar vida à sua visão do Batman nas telonas.

Até aquele momento, tirando um ou outro caso de sucesso – como o Superman de Richard Donner e uma ou outra produção com o Zorro – o fato é que os filmes não eram vistos como filmes de verdade. Como cinemão do bom! Filme de herói era coisa de moleque mais novo. Ninguém levava a sério. Só que Tim Burton mudou isso… pelo menos por um tempo.

Com uma bilheteria de mais de 411 milhões de dólares ao redor do mundo – que seria o equivalente a fazer 1 bi hoje em dia -, esse longa do homem morcego fez com que muitas produtoras acreditassem ter encontrado uma mina de ouro: bastava pegar um personagem dos quadrinhos e adaptar para o formato Hollywood sem se preocupar com coisas básicas, como edição, roteiro, direção… com isso apareceram fracassos como: Capitão América – O Filme (de 1990), O sombra (1994), O Juiz (1995) e até uma icônica versão de Quarteto Fantástico que de tão ruim não foi lançado nem nos cinemas, nem no home vídeo.

O praticamente desconhecido Capitão América - O Filme da década de 90

O praticamente desconhecido Capitão América – O Filme da década de 90

Agora, sabe por que eu dei essa volta toda antes de falar de Esquadrão Suicida? Porque parece que essa ideia de achar que basta colocar personagens dos quadrinhos na tela sem se preocupar com conceitos básicos de qualquer filme tem voltado a permear os estúdios.

O lance é assim: pegando como ponto de partida o final de Batman vs Superman: A Origem da Justiça – outra péssima ideia da Warner em 2016 -, Esquadrão Suicida  mostra como a agente Amanda Waller (Viola Davis) convenceu o pessoal do exército a reunir um grupo de super vilões – Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Magia (Cara Delevingne) e Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) – para combater outras ameaças. Tudo isso enquanto o famoso Coringa (Jared Leto) tenta resgatar sua amada Arlequina de trás das grades.

O fator coringa de Jared Leto

Jared Leto: pior Coringa

Jared Leto: pior Coringa

Para começar, vamos pegar aquele ponto que tanto foi debatido enquanto o filme era produzido: o Coringa de Jared Leto.

Bem, para confirmar algumas profecias, de fato o personagem é muito ruim. E não é só no visual.

Como uma espécie de gangster-voyer-fã-de-rap o novo coringa é colocado como se fosse um dos vilões mais badass do submundo de Gotham, no entanto, quando aparece em cena, não transmite nem de longe a ideia de perigo. Não, minto, ele transmite uma ideia de perigo sim: a de que teremos que ver mais cenas com ele em breve. Um perigo real, já que cada vez que Leto surge na tela, é impossível não morrer de saudades daquele coringa do Heath Ledger, ou daquele do Jack Nicholson, ou até do Cesar Romero.

Sim, é isso mesmo: esse Coringa não é apenas o pior que já apareceu nos cinemas. Ele é também desnecessário para a trama e parece ter apenas um poder: o de elevar o sentimento de vergonha alheia nas alturas.

E seria até legal se esse fosse o único problema de Esquadrão Suicida.

Problemas de edição

Sabendo que tem muito nome para ser apresentado na trama, o diretor David Ayer (do fraco Corações de Ferro) toma uma decisão até interessante no começo da projeção, fazendo com que o editor John Gilroy apresente os personagens com um jeitão meio Snatch, onde vemos a ficha de cada um rapidamente na tela junto com seu histórico. Só que de repetente vão aparecendo novos personagens e Ayer simplesmente ignora a apresentação – por exemplo: primeiro achamos que são 6 vilões contratados pela agente Amanda Waller, só que aí surge em cena o Amarra, fica com a galera por uns 10 minutos e tão rápido quanto ele aparece o cara também some. E tá tudo bem!

Roteiro e direção

Arlequina: louca, bonita... e objetificada

Arlequina: louca, bonita… e objetificada

Inserindo algum classic rock a cada 3 minutos (e cenas de tiroteio e de lutas default a cada 10) entre cenários meio dark e efeitos de graffiti e neon, David Ayer busca emular na marra o clima divertidinho de Guardiões da Galáxia. Algo que, verdade seja dita, deve ter sido uma decisão dos empresários da Warner, mas que ele como diretor e roteirista decidiu aceitar… e não entregar.

Todas as sequências de ação de Esquadrão Suicida são fracas e esquecíveis. Elas poderiam estar em qualquer outro filme de ação que não faria diferença alguma.

E por fim temos o roteiro, que não se dá por satisfeito em ter apenas uma base fraca, como, além disso, insere pequenas gags o tempo todo tentando ser mais engraçado do que de fato é. Gags essas, aliás, que poderiam facilmente fazer parte de algum episódio de A praça é nossa e que, de quebra, transformam a promissora Arlequina apenas no delírio dos nerds machistas de plantão: uma mulher super atraente, louca, com pouca roupa e que segue à risca tudo o que seu namorado manda fazer.

Provando que talvez estejamos presenciando uma nova bolha criativa em Hollywood – principalmente entre os “filmes de herói”, Esquadrão Suicida reproduz em cena tudo aquilo que tem de errado com a cultura pop atual: não entrega nada de novo, é completamente descartável e não perde a chance de ser machista.

Em breve

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