26 de maio de 1940. A II Guerra mundial mal tinha começado e 300 mil soldados das tropas francesas e britânicas já se viam encurralados pelos alemães na região de Dunkirk, ao norte da França. Um local banhando pelo canal costeiro de Calais, de onde era possível até mesmo ver a Inglaterra, no entanto, por causa da baixa profundidade das águas, o resgate por navios de guerra se tornava um pouco mais complicado.

Este é o cenário da Batalha de Dunkirk, um confronto que durou cerca de 10 dias até a execução da Operação Dynamo, de resgate, e agora é contado de forma impecável nos cinemas por ninguém mais, ninguém menos, que Chris Nolan, um dos diretores mais queridos da atualidade.

Os marujos da operação Dynamo

Os marujos da operação Dynamo

Deixando de lado a violência gráfica de longas como O resgate do Soldado Ryan e Apocalypse Now, e evitando a profundidade técnica das estratégias de guerra, Nolan consegue com pouco mais de 1 hora e 40 minutos — algo impressionante para o gênero — criar um verdadeiro épico que triunfa tanto pela qualidade técnica, quanto por mostrar, em 3 camadas diferentes, o verdadeiro heroísmo dessa história.  

Totalmente filmado em 70mm (um dos formatos mais clássicos e interessantes do cinema, também adotado por Quentin Tarantino em Os Oito Odiados), Dunkirk enche os olhos da audiência com seus planos abertíssimos — principalmente os aéreos —, perfeitamente capturados pelo suíço Hoyte Van Hoytema, e que ajudam a mostrar o isolamento das tropas e sua pequeneza dentro daquela batalha.

Além disso, ainda no aspecto mais técnico, Nolan volta a trabalhar com o maestro-rock-n-roll Hans Zimmer, que emprega em Dunkirk a escala de Shepard — também utilizada em The Dark Knight —, responsável por gerar temas que parecem nunca terminar e estarem sempre aumentando o clima de tensão das cenas, como é explicado nesste vídeo do pessoal da VOX.

Também de volta ao lado do diretor temos Lee Smith, o montador que fez milagres em A Origem e consegue fazer outros por aqui ao intercalar as histórias do piloto Farrier (Tom Hardy), do soldado Tommy (Fionn Whitehead) e do capitão Dawson (Mark Rylance) de forma precisa, levando o espectador corretamente entre uma e outra e sem se perder no meio das cenas de ação.

Por fim, claro, temos o impecável trabalho de Chris Nolan, que, mesmo contando uma história de heroísmo (escrita por ele), não faz isso de uma maneira piegas.

O tamanho do perigo enfrentado pelos soldados durante os ataques não é mostrado pelo diretor, que opta por capturar as expressões dos combatentes e não as metralhadoras dos aviões, e várias das mensagens mais tocantes do filme não são ditas com palavras, e sim com as expressões dos personagens.

Sendo melhor aproveitado em uma sala IMAX, Dunkirk é uma baita experiência sensorial que precisa ser vista e revista nos cinemas. E só por entregar este resultado, o filme já mostra o poder que uma história bem contada pode ter.

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