Seria impossível viver por muito tempo em um mundo sem Harry Potter. E eu não digo isso como um fã da franquia.

Apesar de ter gostado bastante de conferir a evolução do universo criado por J. K. Rowling nos cinemas, o fato é que sempre achei essas produções apenas razoáveis, tirando, é claro, os casos de Relíquias da Morte – Parte 1 e O Prisioneiro de Azkaban, as obras primas da série. No entanto, pelo ponto de vista da Warner — que faturou mais de 7.72 bilhões de dólares somente nos cinemas  com essa saga — e dos milhões de fãs do bruxinho, seria apenas uma questão de tempo para que voltássemos a conferir mais um pouco de todo esse universo mágico nas telonas.

É aí que entra Animais Fantásticos e Onde Habitam, adaptação de outro livro de J. K, escrito 4 anos após A Pedra Filosofal, em 2001, e que conta com uma história que corre em paralelo àquela do mundo de Harry Potter.

O diretor David Yates e a atriz Alison Sudol no set de filmagem

O diretor David Yates e a atriz Alison Sudol no set de filmagem

Com direção do inglês David Yates, responsável por 4 dos 8 filmes da série Harry Potter nos cinemas, Animais Fantásticos e Onde Habitam conta a história de Newt Scamander (Eddie Redmayne), um jovem magizoologista que acaba de chegar a uma Nova York dos anos 20 e que, depois de algumas confusões, se vê obrigado a procurar algumas de suas criaturas mágicas pelas ruas da cidade.

Achou meio bobinha a trama? Pois ela é mesmo, mas nem tanto.

Escrito pela própria J. K. Rowling, o roteiro de Animais Fantásticos a princípio parece ser uma mistura de Harry Potter com Pokémon GO e pitadas de MIB — afinal, como vemos no filme, existe uma espécie de central de controle de seres mágicos que funciona meio que escondido dos civis. No entanto, apesar de ter uma porção bem leve e até infantil em sua premissa, existem também alguns pontos bastante adultos e bem atuais na trama, como a forma como alguns grupos enxergam os bruxos como personas non gratas, clamando por uma “nova Salém” e fazendo, assim, uma referência direta à recente crise imigratória que vemos em diversos lugares do mundo hoje em dia.

Os pregadores da volta da velha Salem

Os pregadores da volta da velha Salem

Outro ponto que pesa positivamente para a qualidade de Animais Fantásticos e Onde Habitam e que ajudam a produção a ganhar um clima um pouco mais sério é o seu design de produção, assinado novamente por Stuart Craig, responsável por esse trabalho em toda a série Harry Potter, e que acerta em cheio em adotar um tom mais realista, sujo e até escuro, parecido com aquele iniciado em O Prisioneiro de Azkaban.

Mas isso não quer dizer que a produção seja tipo um The Dark Knight da fantasia. Nada disso!

Em contraste com o realismo dos cenários (principalmente os externos), temos os tais animais fantásticos que dão nome ao filme e são extremamente coloridos, simpáticos e fofinhos, como era de se esperar. E não são só eles: quando entramos na área interna da maleta Newt e descobrimos onde se escondem esses seres, somos bombardeados por uma enxurrada de cores e tipos de animais diferentes, fazendo da sequência algo realmente mágico.

Aliás, vale ainda dizer que, tirando o caso do vilão do filme (que perde pontos por causa do exagero, mesmo que apresentando um nível de complexidade gráfica bastante complicada de ser reproduzida), todos os efeitos de Animais Fantásticos e Onde Habitam são na maioria das vezes bem convincentes.  

Um dos animais fantásticos da trama

Um dos animais fantásticos da trama

Porém, mesmo com todas as qualidades que listamos por aqui, existem alguns problemas nesse mundo mágico.

Tentando fazer valer o caríssimo ingresso das sessões IMAX e 3D, o diretor David Yates erra a mão ao exagerar na quantidade de cenas com objetos e personagens em primeiro plano, colocados ali apenas para realçar a tal da terceira dimensão — e eu imagino que boa parte dessas sequências, em projeções convencionais, deva ficar bem estranha.

Além disso, essa mistura de realidade com fantasia proposta por J. K. Rowling não soa tão bem aqui quanto no mundo de Harry Potter. E o motivo é simples: se lá em Hogwarts tudo é fantástico e mágico e em poucos momentos vemos como é a vida dos trouxas, aqui em Animais Fantásticos mesmo tendo o pé no chão, devemos acreditar que vez ou outra topamos com seres especiais pelas ruas (e que assim como acontece em MIB, às vezes temos a nossa memória apagada para não lembramos tão bem desses encontros). Algo não muito simples de ser feito, justamente porque esses seres contrastam com o nosso universo.

Agora, o lado bom é que ao colocar tudo isso na cartola e ainda misturar com uma porção de excelente interpretação de Eddie Redmayne, temos um spinoff bastante competente, que, ao invés de entregar um simples caça-níqueis, consegue dar novos ares para uma história já conhecida.

E já que, quer queira ou não, teremos novos filmes envolvendo o mundo de Harry Potter, que pelo menos isso venha de uma forma um pouco diferente.

Em breve

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