O ano era 1995 e o país já estava uma merda. Mal havíamos saído de um conturbado período de ditadura e lá estávamos encarando um problemático processo de impeachment protagonizado por um então jovem rapaz que hoje, 20 anos depois, ocupa o cargo de senador. Cargo conquistado de forma ~democrática~, através de 689.266 votos.

E naquela época não tinha esse tal cenário indie que nós conhecemos hoje. O Windows 95 estava cheirando à leite e a internet por aqui ainda era coisa de outro mundo. No entanto, nada disso impediu que “Usuário”, primeiro disco do Planet Hemp, se tornasse o álbum independente mais vendido do Brasil. Um álbum que, ao contrário do que muita gente pensava, não falava “só de maconha”. Falava de atitude. Uma atitude mais parecida com a de um Rage Against the Machine do que com aquela limpinha e juvenil de um Dinho Ouro Preto ou de um Detonautas – que, olhe só, nem existia naqueles tempos.

A culpa é de quem?
Eles roubam no planalto e não pensam em ninguém
Manipulam as leis e vêm com papo furado
Tudo que incomoda eles, eles dizem estar errado
Então quem é o marginal?

– Trecho de “A Culpa É De Quem?“, uma das faixas de Usuário

Agora, duas décadas depois, finalmente o Planet resolve voltar às ativas. Uma volta que já havia sido ensaiada em 2012, mas que dessa vez parece engrenar de vez, principalmente por causa do lançamento do DVD “Ritmo e a Raiva”, gravado há dois anos atrás, e também por causa do cenário político que anda completamente zoado por essas bandas.

“Na veia do Planet Hemp corre o sangue punk. Somos contra tudo e contra todos. Não acreditamos nesse Fla-Flu que tomou conta da política brasileira. Estamos aqui para dizer que existem caminhos diferentes”, diz um dos donos do microfone, o famoso D2 em entrevista para O Globo. Porém, o cara avisa que as novas letras do Planet terão que mudar, afinal, nem ele e nem B Negão – sujeito com uma vida criativa bem mais intensa e interessante – já tem pensam de forma mais clara e menos “ingenua” do que na década de 90.

E para que tudo fique no ponto, parece que só falta o “ok” do rapper Black Alien, autor da letra de Queimando tudo, para o retorno ao grupo. Algo que seria uma ótima notícia, porque, afinal, nunca precisamos tanto de Planets como agora.

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