Aos poucos fui aprendendo que quanto mais fodão você se torna, maior é o questionamento da sociedade sobre a sua real existência. Tai Banksy e Jesus que não me deixam mentir (exatamente nesta ordem de importância), afinal, a meritocracia não liga para número de seguidores.

Se é britânico, francês ou mineiro, ninguém sabe. O fato é que o artista de rua mais famoso e subversivo da história, conseguiu, em tempos de Google, manter a sua identidade em anonimato até agora. Isso, mesmo tendo dirigido um documentário indicado ao Oscar, uma abertura para Os simpsons e, se não criado, popularizado o uso do stêncil no street art durante a década de noventa. Portanto, era questão de tempo até termos também interessantes obras impressas sobre o artista.

É ai que entra Banksy – Guerra e Spray, lançamento da Editora Intrínseca no Brasil, que surge como uma das melhores compilações do ano.

Com mais de 230 páginas, Guerra e Spray é uma adaptação para o português de Wall and Piece, livro lançado no Reino Unido em 2005, que reúne vários trabalhos e citações de Banksy e de pessoas próximas do sujeito.

Já de cara, nos créditos, vemos o respeito com que tanto a edição original como a lançada no Brasil tratam tanto o trabalho como, acima de tudo, os princípios do artista, ao avisar, logo na primeira linha de texto que:

Contra seus princípios, Banksy exerceu o direito de ser identificado como autor desta obra, de acordo com a Lei de Copyright, Designs e Patentes de 1988.

Os autores e o editor fizeram todo o esforço possível para entrar em contato com os detentores dos direitos a fim de obter permissão e pedem desculpas por quaisquer omissões ou erros nos créditos indicados.

As correções poderão ser feitas em futuras reimpressões.

Dado o aviso, o leitor é levado para uma viagem recheada de humor negro, sacadas políticas e textos, ora divertidos, ora engajados, que mostram um pouco da forma como Banksy vê o mundo.

Resenha do livro Banksy - Guerra e Spray

Trabalho de Banksy pelas ruas de Chalk Farm, em Londres

De tão interessante (e recheado de imagens), Guerra e Spray é o tipo do livro que você consegue ler numa sentada só. Algo que de forma alguma chega a ser um problema, já que provavelmente você irá pega-lo na estante vez ou outra para dar mais uma folheada.

Já sabendo o que poderia encontrar pela frente, selecionei um porradeiro set list para encarar a primeira passada pelas páginas, e posso dizer que Rage Against the Machine nasceu para ser trilha sonora das obras de Banksy. O problema é a vontade que dá de acender um molotov logo na sequência.

Divido em capítulos que mostram os trabalhos do cara pelas ruas e muros de várias cidades e países (incluindo até o Muro da Segregação, na Palestina), trabalhos expostos em galerias de arte (na maioria das vezes sem o desejo dos curadores), desenhos editoriais e intervenções públicas, Guerra e Spray merece um lugar na sua prateleira, sendo super indicado para os mais adentrados na política e até para os menos escolados.

“Não dá para superar este sentimento”

Dicas finais: Procure assistir ao documentário Exit through the gift shop e também seguir o tumblr banksystreetart.tumblr.com que conta com muito material do Banksy e de outros tantos que dizem ser ele. Algo que nunca saberemos se é ou não verdade.

Leia aqui um trecho do livro.

Resenha do livro “Banksy – Guerra e Spray”Banksy – Guerra e Spray
Número de Paginas : 240
Título Original : Wall and Piece
Autor: Banksy
Editrora: Intrinseca
Valor: Aprox. R$ 40, na Saraiva
I.S.B.N.: 9788580572582

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