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Livro | Almanaque das drogas

Só quem é burro que não muda de opinião diante de fatos novos. Eu não tinha consciência da gravidade e do que significava essa questão, naquela época como tenho hoje

Esta é a opinião de Fernando Henrique Cardoso, aquele nosso ex-presidente, sobre o uso e o comércio da maconha. A frase em questão está em um dos pontos principais do filme Quebrando o Tabu, de 2011, que é usado como referência no livro Almanaque das drogas, do autor Tarso Araújo e que está sendo lançando em terras tupiniquins pela editora LeYa.

Totalmente fora de discursos religiosos e também daqueles exaltados como os do filme Tropa de Elite (ainda que este não esteja totalmente errado), Tarso, um sujeito aficionado pelo debate sobre a legalização da Cannabis sativa, finca os dois pés na ciência para falar sobre o assunto dentro das mais de 380 páginas do seu trabalho.

Explicando a história das drogas na sociedade, passando para um estudo sobre o impacto econômico que elas produzem e finalizando com explicações sobre os efeitos delas na saúde e na política (tanto aqui e no resto do mundo), o autor acaba, mesmo que mantendo um tom de imparcialidade (menos quando o assunto é religião), apontando alguns mocinhos e bandidos dentro do catálogo de opções psicoativas. Enquanto o Álcool, o Crack e as metanfetaminas (oh, Breaking Bad) são o lado negro da força, o uso de Maconha, LSD e Cafeína em alguns casos se mostra até mesmo benéfico.

Como o que faz o veneno é a dose, Tarso também deixa bem claro que o problema maior pode não ser a droga utilizada em si, e sim a quantidade ingerida, já “que até beber água pode ser perigoso”, segundo o autor em entrevista para a revista Galileu, onde trabalha como editor. E é por conta disso que a leitura de algo como o Almanaque das drogas é tão interessante: até onde o Estado pode ser responsável por regular a quantidade de algo que o cidadão queira utilizar? É melhor proibir ou liberar? E existe alguma outra saída além do 8 ou 80?

Claro que as respostas não podem ser encontradas num livro, já que dependem de vários outros fatores. Mas o conhecimento adquirido por aqueles que fazem parte da discussão ou que apenas gostam de saber mais antes de tomar qualquer partido, já ajudaria bastante na hora de tratar de pessoas com vício ou até mesmo na hora de escolher algum candidato nas eleições.

Com um público-alvo bastante claro, Almanaque das drogas não é algo pesado ou cansativo de ser lido. Muito pelo contrário! Seguindo a linha editorial que o autor já usou em seus trabalhos anteriores (as revistas Superinteressante e VIP), o livro aborda com leveza e propriedade todos os temas levantados, perdendo pontos apenas por estar sendo lançado agora, numa época em que o conhecimento sobre vários pontos (como tabaco) já foi mais do que discutido. Mas isso não chega a diminuir a importância de algo tão bacana para quem deseja saber um pouco mais (ou simplesmente quer parar de falar besteira).

Almanaque Das Drogas
Número de Paginas : 384
Título Original : Almanaque Das Drogas
Autor: Araujo, Tarso
Editrora: Leya Brasil
Valor: Aprox. Compare pelo Buscapé
I.S.B.N.: 9788580440805

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