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Livro | A visita cruel do tempo

Planos que nunca são terminados ou ficam em meia página de linhas rabiscadas
- Pink Floyd

Quase sempre usado de forma poética nas canções, o tempo é algo igual para toda a humanidade. Se por um lado a sua imprevisibilidade nos fascina, ele pode também ser cruel depois de alguns anos quando visto em flashback.

Pois este emaranhando de possibilidades, sentimentos e percepções é o plano central de A visita cruel do tempo, premiadíssimo livro de estréia da jornalista Jennifer Egan, que chega ao Brasil pela editora Intrínseca.

A obra chega em terra tupiniquins com um Pulitzer, um prêmio do National Book Critics Circle Awards e outro do LA Times Book Prize na mochila. E não é para menos. Egan conta em 13 capítulos a vida de vários personagens, em diferentes épocas e com diferentes perspectivas. As vezes você está lendo uma história em primeira pessoa e no outro capítulo tudo já está no passado e sobre com outra forma de narrativa.

No meio desse quebra-cabeça está a história de um grupo de transgressores jovens da década de 1970, amantes do punk rock, viciados em drogas e sedentos por sexo. Com o passar das páginas vamos descobrindo o futuro ou passado de cada um deles e qual fim cada um teve no fim das contas.

Além da engenhosa narrativa de Jennifer Egan, que por si só prende a atenção do leitor, A visita cruel do tempo também conta com histórias recheadas de grandes acontecimentos, não sendo assim, nem de longe, um romance parado. Dada as devidas proporções, o livro chegou até a me lembrar a série Breaking Bad, que trabalha o espectador durante um bom tempo até entregar um grande e explosivo climax.

A rebeldia jovem aliada ao rock’n roll sempre constante na obra produz uma aproximação do leitor por conta do imaginário popular da época. E quem já se aventurou com uma banda de garagem vai saber entender melhor ainda todo o sentimento apresentado.

Posso dizer que nunca concordei tanto com uma critica de capa de livro quanto a usada do Los Angeles Times que diz o seguinte: A visita cruel do tempo é “O melhor livro que você terá nas mãos” E verdade seja dita: o tempo pode até ser cruel as vezes, mas pode nos fazer muito bem também.

Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim
- Móveis Coloniais de Acaju

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