Nesta altura do campeonato você já deve ter visto em algum lugar alguém falando sobre Mr Robot, a série da USA Network que tomou de assalto o mundo do entretenimento nos últimos meses. Criada pelo norte-americano Sam Esmail, esta produção estreou nos Estados Unidos no final de maio com uma interessante audiência de 2,6 milhões de espectadores, porém, foi no meio on-line onde a magia aconteceu.

Catapultada por um boca a boca gigantesco a cada episódio, Mr Robot teve seu ápice de popularidade quando precisou adiar o episódio final da temporada por estar programado para o mesmo dia (e ter algumas semelhanças) em que um ex-funcionário da CBS assassinou dois jornalistas ao vivo no estado da Virginia. No entanto, apesar dessa triste coincidência, a verdade é que a série tem vários méritos para ser considerada hoje a grande estreia do ano e uma das melhores que surgiram na TV desde Breaking Bad.

Em Mr. Robot conhecemos o jovem Elliot, um hacker que usa seus conhecimentos de programação e malemolência de engenharia social para invadir sistemas e trabalhar como justiceiro cibernético quando não está batendo ponto em uma promissora empresa de defesa digital. A treta acontece quando um grupo de outros hackers chamado fsociety invade os computadores da empresa do protagonista deixando um convite para que ele se una à equipe numa missão para derrubar o maior conglomerado econômico do mundo. Uma mistura de Enron – que inclusive, parece ~emprestar~ a logo pra série – com Google.

Promissor, não?

E como já conferimos toda a primeira temporada – não pergunte como! – vamos mostrar um pouco do motivo dela estar dando tanto o que falar por ai.

O poder da engenharia social

Na contramão de todas as produções envolvendo hackers que a TV e o cinema já viram, Mr. Robot mostra como que a engenharia social é algo tão importante quanto o conhecimento dos códigos na hora de invadir um sistema. Com isso em mente, é através dela que a equipe do fsociety – bastante inspirada nos Anonymous – e o personagem principal consegue números de telefone, acesso à redes de penitenciárias e até servidores de grandes empresas.

Ah, vale dizer (sem spoilers) que muitos dos hacks dos personagens envolvem ficar de olho no que as pessoas postam em suas redes sociais para interpretar os gostos e até descobrir possíveis senhas de cada uma das vítimas.

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Elliot e o poder da Engenharia Social

Assuntos atuais

Muito do que o economista Thomas Piketty diz em seu livro O Capital no Século XXI – um recente e perturbador best-seller de negócios – é usado como base no roteiro da série, mostrando como nunca antes na história do mundo houve tanta diferença entre a economia do 1% das pessoas mais ricas do mundo e o restante mais pobre (incluindo eu e você – a menos que o leitor tenha 1 bilhão de dólares na conta bancária).

Além disso, até assuntos mais recentes ainda, como o vazamento dos dados de sites como Ashley Madison, também se tornam essenciais na trama, fazendo de Mr. Robot algo bastante interessante para quem está por dentro do que acontece no mundo.

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A máscara de Rich Uncle Pennybag (do Banco Imobiliário) usada pelo pessoal da fsociety

Jeitão de David Fincher

Dirigido por Niels Arden Oplev (o responsável pela adaptação dinamarquesa do livro Os homens que não amavam as mulheres), o primeiro episódio da série dá o tom de como serão todos os outros restantes deixando bem claro como que Oplev e toda a equipe se inspirou no trabalho do renomado diretor David Fincher (que também levou um dos livros da série Millennium para os cinemas) para conduzir Mr. Robot.

Além da estética suja e da fotografia mais esverdeada (menos dentro da Allsafe Cybersecurity, empresa de Elliot), também dá para perceber como a trilha sonora de alguns filmes de Fincher (principalmente A rede social e Millennium) puderam servir de inspiração por aqui. E obrigado Mac Quayle por ter feito um trabalho tão bacana.

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Elliot e Shayla em um dos episódios mais brutais da temporada


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Semelhanças com Clube da Luta

Além da estética meio Fincher, Mr. Robot parece também ter se inspirado no maior clássico do diretor: Clube da Luta.

Herdando de Fight Club o design de produção e a base da história – destruir um grande conglomerado econômico para causar o caos financeiro -, a série ainda usa alguns argumentos bem parecidos com os dos personagens de Chuck Palahniuk (autor do texto original) para motivar o protagonista e outros hackers da fsociety.

Aliás, o discurso contra o capitalismo do último episódio parece bastante com algo que Tyler Durden diria.

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Darlene, uma das hackers da série

Melhor série da atualidade

Bem, se até agora você não entendeu muito bem o barulho entorno da série, deixa que eu te dou mais motivos:

  • Todos os atores são excelentes, principalmente Rami Malek (Elliot) e Christian Slater, que, numa boa, não fazia nada de interessante desde Bobby, de 2006.
  • As músicas escolhidas para cada episódio são maravilhosas, com destaque para a versão em piano de Where Is My Mind (olha outra referência à Clube da Luta aí) no penúltimo episódio e Sound & Color do Alabama Shakes que fecha a primeira temporada.
  • O roteiro é brilhante… e às vezes pesado.
  • Existem os melhores plot twists já feitos para a TV – e sim, isso é sério.
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Mr. Robot

Sem data para estrear no Brasil, Mr. Robot já teve a sua segunda temporada confirmada pela USA Network, temporada esta que promete fechar alguns pontos que ficaram soltos no (excepcional) final da primeira.

Portanto, se quiser assistir a série – sem tomar spoilers-, melhor correr pra web.

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