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Crítica: Valente

As pessoas (eu incluso) tem uma grande facilidade em atribuir características humanas à empresas. E ha algum tempo atrás, pensando dessa forma, a Pixar costumava ser taxada como criativa. Bastante criativa! Mas pelo visto, a casa do Buzz Lightyear está tendo um outro ponto bastante em comum com o homem: errar consecutivamente.

Depois do fiasco de Carros 2, o monstro da expectativa me deixou um presente: a falsa esperança de que a produtora nunca mais iria vacilar. Que aquilo tinha sido apenas um pequeno tropeço, bastante aceitável inclusive. Mas aí eles me aparecem com Valente (Brave): uma animação até boazinha, mas que deixa um gostinho meio amargo no final.

Inspirado em um mix de lendas nórdicas, a trama do filme gira em torno da pequena Merida (Kelly Macdonald), uma habilidosa arqueira, filha do rei Fergus (Billy Connolly) e da rainha Elinor (Emma Thompson). Determinada a trilhar seu próprio caminho, ela desafia um antigo costume considerado sagrado pelos ruidosos senhores da terra: o imponente lorde MacGuffin (Kevin McKidd), o carrancudo lorde Macintosh (Craig Ferguson) e o perverso lorde Dingwall (Robbie Coltrane). Involuntariamente, os atos de Merida desencadeiam o caos e a fúria no reino e, quando ela se volta para uma velha feiticeira (Julie Walters), em busca de ajuda, Merida tem um desejo mal-aventurado concedido.

Como vitrine para toda a grandiosidade técnicada Pixar, o longa funciona muito bem. Graças aos softwares Presto (para animação) e TAZ (responsável pela belíssima cabeleira ruiva da protagonista), totalmente desenvolvidos pelos programadores do estúdio, Valente é o blockbuster com visual mais chamativo na atual temporada. As texturas são excelentes, a fotografia é linda e os fios de cabelo vermelho fogo da protagonista são simplesmente hipnotizantes. Isso, porque além de extremamente bem feitos, eles também espelham a personalidade de Merida, as vezes rebeldes, tentando sair (fugir?), mesmo que em forma de uma mecha, quando encapuzados e poéticamente soltos e suaves quando ao ar livre.

Confira o vídeo que mostra como foram feitos os cabelos de Merida.

Merida, aliás, é uma das melhores personagens já criadas pela Disney. Cheia de camadas e longe daquele estilo princesinha, socado na mente das garotinhas por décadas, a ruiva bate totalmente com o espirito real de muitas mulheres. E ver isso em uma animação é simplesmente fascinante. Infelizmente, os outros personagens de Valente não seguem pelo mesmo caminho, se tornando na maior parte do tempo caricatos e forçados, deixando a produção com ar de algo feito pela DreamWorks, cheio de piadinhas bobinhas e uma lição de moral bastante fraca.

Escrito por 5 mãos diferentes, o roteiro do longa peca justamente por não acreditar na inteligência da audiência (algo bem diferente de outras tantas animações da casa) e transformar um filme com grande potencial em algo apenas mediano, não conseguindo dar aquele impacto que a Pixar nos deixou mal acostumados em dar.

Com um visual brilhante, Valente consegue encher os olhos de qualquer um, mas está longe de ficar gravado na memória por muito tempo como gostaríamos. E isso, faz com que a empresa perca mais um pouco da minha humana confiança.

Ah, uma observação: Não vou me adentrar na parte técnica do som do filme, já que, mesmo não sendo totalmente contra animações dubladas, neste caso, o longa fica mega prejudicado por ter alguns números musicais, que na língua original são infinitamente mais interessantes. E como parece que não existem mais cópias legendadas dos lançamentos da Disney…

OBS: O curta que acompanha o longa, La Luna, é tão belo quanto Valente, mas é tão conceitual e poético, que pode não agradar àqueles acostumados apenas aos mais engraçadinhos da Pixar.

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