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Crítica: Sombras da noite

Se existe algo indiscutível na carreira de Tim Burton, é seu apuradíssimo bom gosto visual. A inventividade do diretor por vezes salvou alguns filmes de serem porcarias completas, como foi o caso de Alice no País das Maravilhas e que torna a se repetir em Sombras da noite (Dark Shadows), adaptação para os cinemas de uma extinta novela  norte-americana.

Dan Curtis, criador do original da TV, tinha vários amores em comum com Burton: O cara adorava histórias com vampiros, assombrações e mansões mal assombradas, além de ser fã de clássicos do terror, como Drácula, Frankenstein e O retrato de Dorian Gray (não por acaso, Curtis adaptou todos eles para a telinha). Porém, foi com Sombras da noite onde ele teve seu maior sucesso.

Na história, um jovem playboy do século XVIII (Barnabas, vivido por Johnny Depp nos cinemas, como era de se esperar) é amaldiçoado por uma bruxa, que foi sua amante, e se torna um vampiro. Aprisionado por 175 anos, ele só consegue sair de dentro do seu caixão em 1972, e acaba tendo que ir morar com uma família que agora vive em sua antiga mansão. Mas logo ele volta a ter problemas com sua antiga e perigosa paquera, que continua vivinha da silva e mandando em toda a cidade.

Abertura original da série

De cara, logo nos minutos iniciais, já dá pra perceber vários do maneirismos estéticos do estranho mundo de Tim Burton: A árvore, seca e curvada, na beirada de um precipício, a fotografia variando entre o dark-gótico e os tons pasteis, tudo dentro da cartilha Timburtônica de se fazer filmes, que como sempre, é um espetáculo à parte (com uma ressalva para a mansão, que com certeza foi reaproveitada do castelo de Edward Mãos de Tesoura). Ainda que mais contidas do que em suas outras produções, a direção de arte e a fotografia são o grande show de Sombras da Noite, encontrando aqui um equilíbrio bastante interessante entre o mundo real e a loucura da cabeça do cineasta. Salvo estas partes, todo o restante do longa é ladeira à baixo.

Com Michelle Pfeiffer fazendo o papel de matriarca da família Collin, Elizabeth, Jackie Earle Haley, Eva Green, Helena Bonham Carter (claro) e Chloe Moretz, o ótimo elenco do filme, no final, chega a ser um enorme desperdício. Principalmente a jovem Moretz, que rouba todas as cenas e que não considero exagero nenhum dizer que pra mim ela é uma espécie de nova (sim) Natalie Portman. Além de terem pouco destaque na projeção, a maioria dos atores acaba tendo o brilho ofuscado pela interpretação no piloto-automático de Johnny Depp, que parece ter um caso com o diretor, já que por vezes faz mais do mesmo e continua sendo chamado para a folha de pagamento de seus projetos.

Ah, e ainda tem uma participação especial, gratuita e forçadíssima de Alice Copper, que só serve para que Barbanbas faça uma piada engraçadalha com seu nome.

Crítica: Sombras da noite

Chloe Moretz ensinando Johnny Depp a ser cool. Quem diria...

Até mesmo o brilhante Danny Elfman deixa a desejar, entregando o que de longe é sua pior composição em parceria com o diretor. Ao contrário do que aconteceu em filmes como Edward Mãos de Tesoura e Batman (aquele de 1989), onde era fácil sair do cinema assoviando os temas criados pelo ex-oingo boingo, a melhor parte da ambientação sonora de Sombras da noite fica por conta das músicas escolhidas para representar a época, como a belíssima Nights in White Satin do The Moody Blues.

Mas o pior mesmo é o roteiro. Desse aí não tem como ter pena! Escrita por Seth Grahame-Smith, autor do livro Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (que em breve ganhará uma adaptação para os cinemas com produção de Tim Burton), a história tenta emular uma certa aura novelesca para o cinema, deixando todos os personagens em situações que fariam até mesmo Wolf Maia morrer de vergonha.

Existe, por exemplo, uma cena de sexo entre os personagens centrais que facilmente figura entre as piores já feitas e que termina com um diálogo digno de um episódio de Malhação. E não é só isso: Apesar de uma ou outra piada funcionar (a que envolve a marca McDonalds é brilhante, assumo), a maioria sempre tenta a mesma fórmula, que é mostrar os xingamentos de Barnabas (que perde de longe até mesmo para os de Buzz Lightyear e dentre as novelas, para os da grandiosa Carminha).

E se até agora você ainda não desistiu de assistir ao filme, saiba que o final é de longe o mais fraco de todos os longas da carreira de Tim Burton, conseguindo estragar até mesmo o personagem de Chloe Moretz e mostrando que realmente a regra era a de realmente mostrar tudo que a novela tinha em menos de 2 horas. Só faltou as viagens no tempo.

Crítica: Sombras da noite

A Carminha de Sombras da noite. Só que não.

Apesar de sofrível, Sombras da noite não vai ser um fracasso total e muito se deve ao poder do nome Tim Burton que ainda consegue conquistar a gente. O grande lance é: até quando será que o público vai continuar disposto a pagar para ver suas esquisitices cada vez mais sem sal? Só resta agora torcer para que Frankenweenie faça o diretor voltar aos trilhos.

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