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Crítica: Prometheus

Malandro que só, o diretor Ridley Scott vive ha anos de uma brincadeira que, de vez em quando, costuma enganar às pessoas: a de que ele é um puta diretor. E Prometheus é mais uma destas brincadeiras.

Girando em meio ao universo dos et’s de sangue ácido de Alien, o Oitavo Passageiro, Prometheus conta a história de uma expedição espacial que começa depois que o casal de arqueólogos, Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, a protagonista da versão sueca de Os homens que não amavam as mulheres) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green, um tipo de Tom Hardy “de pobre”), descobre que algumas figuras rupestres encontradas ao redor do mundo, na verdade são um mapa deixado por “deuses do espaço” para um planeta fora do nosso sistema solar. Com ajuda financeira e tecnológica da empresa Weyland, e sob os comandos da executiva/bitch Meredith Vickers (Charlize Theron), Shaw e Holloway se juntam à uma equipe supervisionada pelo androide David (Michael Fassbender) rumo ao desconhecido.

De forma intrigante, a primeira parte de Prometheus realmente promete (e eu tinha me prometido não fazer essa piadinha). Guardando os sustos para mais tarde e gerando um clima de tensão dentre as explicações, hora criacionistas, hora evolucionistas, o inicio da projeção só não é melhor por conta do excesso de chupadas que o roteiro dá em 2001: Uma odisseia no espaço. A referência já podia ser entendida com a cena em que David anda por dentro da nave ao som de uma trilha clássica, mas aí vem um dos computadores da Prometheus (nome da embarcação espacial que leva toda a equipe e recebe o nome de um titan, que segundo a mitologia grega, foi punido por Zeus depois de tentar ajudar a humanidade) e solta um verberoso “good morning David“. E eis que Kubrick se revira no túmulo.

David, aliás, é o grande nome do longa. Depois de roubar a cena como o jovem Magneto de X-Men: Primeira Classe e explodir na interpretação mega injustiçada pelo Oscar de Brandon Sullivan, protagonista de Shame, Michael Fassbender entrega em Prometheus a melhor atuação “robótica” de toda a franquia Alien. Com o visual inspiradíssimo em David Bowie e repleto de amores pelo clássico Lawrence da Arábia, David transmite calma e cautela para a tripulação em todas as suas ações.

Crítica do filme Prometheus

David... Bowie?

Mas não é só de mimimi existencialista que vive o filme (apesar de que eu esperava mais disso). A parte central da trama é tensa e gore o suficiente para alegrar aos fãs de Alien e não deixar (tanta) saudade da época da tenente Ripley. Digo, inclusive, que a sequência envolvendo Elizabeth Shaw e uma cirurgia, entrou facilmente para o top 3 de melhores cenas de toda a franquia.

Tecnicamente, Prometheus é muito bem acabado. A direção de arte é brilhante e todo o design de som do longa não só ajuda à imersão na trama, como pode facilmente levar alguns prêmios da academia no ano que vem. Ah, e claro, pontos também para a trilha sonora composta por Harry Gregson-Williams e Marc Streitenfeld, em especial para a faixa tema do filme, Life, simplesmente brilhante.

Se tem uma derrapada técnica no longa, ela está na maquiagem. Apesar de bem construída em todos os personagens, nada justifica o que fizeram com o envelhecimento do personagem vivido por Guy Pearce, que parece ter sido feita com uma gororoba montada à base de água e farinha.

Crítica do filme Prometheus

A nave Prometheus rumo às respostas. Ou não.

O grande problema de toda a projeção é sua parte final, o climax, onde toda as soluções dadas para a trama são primárias e, para piorar tudo, em aberto. Roteirizado por Jon Spaihts e Damon Lindelof (um dos responsáveis por Lost, algo que explicaria o péssimo encerramento da trama), Prometheus, talvez por não sair do muro e não tomar partido para o lado criacionista ou darwiniano, tenta agradar à todos, e com isso acaba por não responder nada. De quebra, ainda dá de brinde para a produtora um gancho que deixa o filme no patamar onde pode tanto ganhar uma sequência, ou ser encerrado ali mesmo. Algo que, neste caso, não é uma qualidade.

Se realmente for levado como um produto da franquia Alien, Prometheus será o terceiro melhor de todos (atrás de Alien, o oitavo passageiro, e claro, Aliens, o resgate, que pra mim é o melhor de todos). Pena é ver que com todo o potencial, o longa só não conseguiu ser melhor por falta de decisões mais ousadas e por apostar demais em uma falsa complexidade e numa discussão que acaba se tornando rasa. Se optarem por uma sequência estarei esperando pelas respostas, já que o resultado, pelo menos, não me fez desgostar de todo esse universo criado.

OBS: Uma dica é procurar o livro “Nas montanhas da loucura“, de H. P. Lovecraft, que teria uma adaptação para o cinema sob a direção de Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno), mas teve a produção cancelada por conter uma trama “bem próxima” da apresentada em Prometheus. Eu pessoalmente achei a obra de Lovecraft muito mais satisfatória.

OBS.2: Não compensa tanto pagar a mais pela versão em 3D do filme, já que apenas os hologramas e algumas cenas ganham profundidade com os tais óculos.

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