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Crítica: O Espetacular Homem-Aranha

Perdido por aqui? Então confira a crítica de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

Vovó já dizia: “Não adianta o bolo vir quente-pelando se ainda estiver cru“. Bom, na verdade minha avó nunca disse isso, mas a frase cabe como uma luva de cozinha para O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man), reboot da franquia aracnídea nos cinemas.

Lá em 2002, depois de um trailer proibidão com o então recém-extinto World Trade Center e uma longuíssima briga judicial para ver quem teria os direitos da adaptação da HQ para os cinemas, os mais, os menos e os nada nerds puderam conferir a história de Peter Parker, um sujeitinho franzino e CDF que depois de ser picado por uma aranha geneticamente modificada ganha super poderes. Na época, quem dirigiu o filme sobre o tal Homem-Aranha foi Sam Raimi, consagrado por conta da divertida saga Uma Noite Alucinante. Agora a cadeira fica por conta de Marc Webb, sujeito com apenas um filme no currículo, o bacaníssimo (500) Dias com Ela.

A história por trás do reboot

Apesar do enorme sucesso de bilheteria, a produtora Sony Pictures nunca esteve 100% feliz com o trabalho de Sam. Em 2005, quando foi dado o sinal verde para a produção de Spider Man 3, Raimi resolveu que o malfeitor da vez seria o Abutre, primeiro vilão que Peter Parker enfrenta nas HQs. A Sony não apenas achou o personagem comercialmente fraco, bombando a ideia, como também pediu para que incluísse o estilizado Venom na trama. O resultado final, ainda que sendo o mais criticado tanto pelos fãs quanto pelos especialistas, foi o mais lucrativo até então. Com isso, era questão de tempo até um novo filme ganhar vida.

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha

Storyboard de Homem-Aranha 3 com o vilão Abutre

O problema é que o diretor da trilogia insistiu no seu personagem do mal para a quarta parte. Os manda-chuvas da empresa ficaram apurrinhados com a história, dispensaram o sujeito junto com todo o elenco original, e encomendaram um novo longa sob nova direção. Como não dava para continuar a franquia com um monte de caras novas fingindo que nada aconteceu, veio a ideia do tal reboot. E o motivo disso tudo é simples: Grana!

E como desde que a Marvel teve que vender até as cuecas (leia-se: os direitos autorias de vários dos seus heróis) para pagar as contas no final da década de 90, qualquer produtora que quisesse fazer dinheiro com algum personagem, deveria produzir alguma coisa nova de tempos em tempos. Custe o que custasse.

O lance do bolo

Agora que você já sabe o porquê deste reinicio tão prematuro da franquia, já posso falar dos principais problemas do filme.

Bom, você já contou para alguém como se lembra do que fazia e onde estava quando soube dos atentados do 11 de setembro, certo? Pois então, o primeiro Spider Man é de pouco depois desta data. Ou seja: Se a última vez que você assistiu o filme, foi ainda no cinema, tem no máximo 10 anos que o fez. Ele ainda está na sua memoria. E durante praticamente metade da projeção, O Espetacular Homem-Aranha reproduz praticamente tudo aquilo já mostrado em 2002.

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha

Peter Parker e sua namorada. Você já viu exatamente este filme antes.

Você irá novamente assistir Peter Parker sendo zoado na escola, sendo picado por uma aranha, ganhando poderes, escalando paredes, vendo o tio Ben morrer, tentando conquistar uma garota, descolando uma roupa bacana, conhecendo um cientista que a principio é uma cara massa, mas depois se transformará no vilão do filme… quer dizer: tudo isso, de novo e com pouquíssimas alterações.

E antes que me venham com o papinho de “Ah, mas é reboot, a história tem que ser contada novamente”, eu vou pedir para se lembrarem que Batman Begins também é um reinicio de franquia, e Chris Nolan o fez contando de forma extremamente diferente da usada por Tim Burton no Batman de 1989. Segue o enterro.

(500) dias com ela Style

Com diálogos fofíssimos, uma edição divertida e um roteiro bastante interessante, (500) dias com ela é um dos melhores romances dos últimos anos, e um dos pontos fortes de O Espetacular Homem-Aranha é a competência de Marc Webb em repetir no longa o que funcionou em sua estréia dos cinemas.

Muito mais convincente do que nos filmes anteriores, a relação entre Peter Parker (Andrew Garfield, o Eduardo de A Rede Social) e Gwen Stacy (Emma Stone, a Wichita do divertido Zumbilândia), namorada mais importante do herói nas revistinhas, é o que salva dentro da problemática trama. Escrito por três mãos diferentes (James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves), o roteiro teria ficado bem melhor se a Marvel não insistisse em tentar afastar ao máximo seus personagens do estilo dark-realista aplicado na nova franquia do homem-morcego.

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Rhys Ifans sendo prejudicado pela fraca computação gráfica

Enquanto quem está em cena é o jovem Peter, o longa se mantêm acima da média. Assim que quem dá as caras são os vilões e a necessidade imposta de ser um filme de herói tradicional e “correto”, tudo desanda.

Este problema de identidade também atrapalha o personagem Dr.Curt Connors, o lagarto, interpretado de forma brilhante pelo britânico Rhys Ifans (que viveu o excêntrico Spike, de Um Lugar Chamado Notting Hill, lembra?). Sem nenhum pingo de overacting, tido até a tampa nos antagonistas dos filmes anteriores da franquia, Ifans vive o melhor vilão até aqui. Infelizmente, além dos efeitos sofríveis que o transformam no monstrão verde, sua atuação mais inteligente e contida acaba não combinando com a fantasia exagerado em que é colocada.

Mas calma, nem tudo está perdido. A trilha sonora (com direito a essa do Coldplay) e a trilha insidental (composta por James Horner e tão interessante quanto a criada por Danny Elfman para os filmes anteriores) ao lado da fotografia, também conseguem salvar uma boa parte do longa. Totalmente feitas com as novas câmeras RED, as cenas de O espetacular Homem-Aranha só não ficaram melhores na projeção por conta dos óculos 3D, que tendem a deixar tudo um pouco mais escuro do que já é, e que aqui não ajudam em praticamente nada (sabe aquele monte de sequências bacanas e cheias de vertigem que mostraram nos trailers? Quase não existem).

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha

Marc Webb dando dicas para Andrew Garfield

No fim das contas, O Espetacular Homem-Aranha se resume a ser um produto meia-boca concebido por meio de uma ideia tida às pressas. Todo o leque de ingredientes para tornar o filme lucrativo (e suas possíveis continuações) estão ali: Efeitos especiais, a marca Homem-Aranha, os futuros vilões coadjuvantes (Flash, o garoto que tira um sarro com Peter na escola, mais tarde nas HQs se torna tanto o Duende Macabro quanto o Venom) e o ingresso mais caro por conta do 3D. Com isso, mesmo apesar de todos os problemas, a franquia a chega a ganhar um rumo mais interessante do que o mostrado no final de Homem-Aranha 3. Resta saber se a Marvel vai querer insistir nesse estilo filmeco-de-herói-feito-para-o-público-nerd por muito tempo.

OBS: Até a famosa “cena-pós-créditos” aqui vira cena-na-metade-dos-créditos. Provavelmente porque notaram que a maioria do público gosta de sair correndo da sala de cinema para comer algo no McDonalds assim que as luzes se acendem.

OBS2: Stan Lee novamente dá as caras, desta vez, fazendo a melhor aparição de todas desde que começou a aparecer em filmes.

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