CSS REEL Nominee
Poster Batman The Dark Knight Rises

Crítica: Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Um dos filmes mais esperados do ano, chega amanhã aos cinemas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises), a terceira – e provavelmente última – parte da franquia sob a batuta de Christopher Nolan.

O longa tem uma complicada missão pela frente: Suceder o bombástico Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark knight) que alçou Heath Ledger ao seu auge por sua inusitada e genial atuação como o Coringa. Em razão da morte de Ledger, o projeto alcançou uma grandiosidade ainda maior, e trouxe alguns desafios à continuação da saga: Como ir adiante com a franquia sem utilizar o seu vilão de maior sucesso? E quem seria este vilão? Esses desafios ficam ainda mais acentuados considerando o perfil da obra de Nolan que tende a trazer os heróis fantásticos dos quadrinhos para uma visão bem mais realista e verossímil no cinema. Não basta apenas um ator musculoso numa roupa de lycra para trazer à vida os seres poderosos das HQs, como bem comprovou a atuação de Ledger.

Selina Kyle - Dark Knight Rises

miau

Nesse sentido, TDKR está realmente muito adequado. Diria isso principalmente em relação a Selina Kyle, interpretada de forma muito convincente pela belíssima Anne Hathaway. O modo como um personagem do universo do morcegão toma forma nos filmes de Nolan traduz bem essa questão de verissimilhança: Uma origem não se resume a uma motivação questionável, uma roupa brilhante e um nome ridículo, e inclusive o termo “Mulher Gato” não é citado em momento algum em The Dark Knight Rises. E isso agrada muito, pela forma como os players são colocados em cena. Anne Hathaway consegue trazer à tona a dualidade de personalidades de Selina, que oscila entre a dama e a ladra, entre suas ações na sociedade e sua vida simples, entre sua beleza e sua sagacidade. Essa dualidade serve como ponte para a empatia de Bruce Wayne, que até o momento não encontara ninguém que gerasse essa identificação pessoal com ele, e acaba aproximando seus alter-egos e suas identidades secretas.

lebowski

“Hey, man…”

Batman – O cavaleiro das trevas ressurge começa 8 anos depois dos eventos de The Dark Knight, com a morte de Harvey Dent (Aaron Eckhart) e a saída de Batman do combate ao crime em Gotham City. Bruce Wayne também se encontra recluso em sua casa e alheio às atividades das Empresas Wayne, e sua apatia e desleixo são tão grandes que chegam a lembrar um pouco o personagem “o cara”, interpretado por Jeff Bridges em “O grande Lebowski“. O Batman está fora de cena por ter assumido a culpa pelo assassinato de Dent, que morreu como um herói que pagou com própria vida, apesar de ter se tornado o Duas Caras, fato que não chegou aos cidadãos de Gotham. Isso o deixou enfraquecido e ocioso, o que terá influência direta no decorrer da trama.

A história nos introduz então uma peça genial que poderia ser apenas mais um de tantos vilões do cinema, principalmente depois da passagem do Coringa de Ledger pelas telas, mas não foi o que aconteceu. Bane (Tom Hardy) é um antagonista de um nível jamais enfrentado por Batman até o momento, por reunir enorme inteligência a uma força física muito superior à do debilitado morcegão. E quanto a ser realista, Nolan confirma seu conceito. Bane não tem o aspecto monstruoso dos quadrinhos, com tubos de veneno conectado nos braços e hipertrofia muscular absurda. Bane não parece o Hulk usando máscara de Lucha Libre, mas é grande e forte o bastante para bater de frente com o cavaleiro das trevas e moê-lo bruscamente na porrada. E é exatamente Bane que desequilibra o cenário, trazendo de volta o herói à ativa.

Batman vs Bane

Bane e Batman se encarando no dia da pesagem oficial

Dark Knight Rises - Comissário Gordon

Batman – The Dark Knight Rises continua a narrativa de Nolan sobre a tragetória pessoal de Bruce Wayne, ponto forte na trama. Seu relacionamento com seu fiel mordomo Alfred (Michael Caine) e o comissário Gordon (Gary Oldman) são cruciais para a história, mostrando dramas da dor e do sofrimento de um homem, de suas relações pessoais propriamente ditas, do senso de responsabilidade de cada um. Alfred é tratado de forma mais profunda, até mesmo pelo fato de ser o único traço de família que Wayne possui. E os dois estão tão bem em seus papéis que dão aquela impressão do ator que nasceu para o personagem.

As atuações, de forma geral, são muito boas. Anne Hathaway surpreende com uma Selina Kyle muito charmosa e sedutora, lindíssima mesmo descansando em casa. E na pele da Mulher Gato, tem o mesmo charme sem passar uma impressão de fragilidade que poderia ter nas imagens de divulgação do filme. Mogran Freeman como Lucius Fox repete suas performances nos dois filmes anteriores, um misto de amigo bonachão e malandro ao mesmo tempo. Marion Cotillard no papel de Miranda Tate parece um pouco apagada, mas tem seu bom momento na segunda metade do filme. E Joseph Gordon-Levitt vive John Blake, numa atuação razoável, mas capaz de ganhar a simpatia de muitos fãs do Batman que não se ganharia facilmente. Falar mais que isso seria revelar excelentes surpresas do plot sobre estes dois últimos personagens.

A trama é grandiosa, à altura da ideia do final da saga de Batman, um dos maiores heróis de todos os tempos. Gotham City é retratada de forma menos sombria, mais parecida com Nova York (inclusive algumas tomadas aéreas que lembram muito a área de Manhattan) e algumas cenas muito coloridas que contrastam com a destruição  da cidade, como a sequência do campo de Futebol Americano presente no trailer. A fotografia é muito boa e agrega à grandiosidade da obra.

Dark Knight Rises

Existem alguns problemas, talvez não furos de roteiro, mas situações que se desenrolam de forma um pouco inacreditável demais para os padrões Nolan. Mesmo buscando o realismo a cada cena, há uma ou duas (talvez três) situações em que você deixa escapar um “putz” de desapontamento, o que não compromete o resultado final, principalmente pelas qualidades da história que é contada. Efeitos visuais muito bons e som que cumpre o seu papel, The Dark Knight Rises é finalmente um candidato a um dos melhores filmes do ano, principalmente se considerando o segmento das adaptações de quadrinhos para o cinema.

O filme é bastante tenso, como bem mostra o último trailer, e você realmente fica com medo do rumo que o filme pode tomar, principalmente porque todos sabem que é a conclusão da trilogia do Batman de Nolan. Além disso, a presença de Bane faz alguns tremerem só de pensar o que pode acontecer com o homem morcego, já que seus encontros nos quadrinhos tiveram consequências desastrosas para Batman/ Wayne. Sobre a relação sobre o a trilogia Batman de Nolan e os quadrinhos, falaremos especificamente em outro post daqui a alguns dias.

Inevitável a comparação com o filme anterior. Posso dizer que Nolan fechou com chave de ouro uma das melhores trilogias do cinema, e o filme chegou a surpreender em alguns momentos, mas comparar os dois filmes é complicado e desnecessário. Bane é completamente diferente do Coringa, um vilão mais perigoso inclusive, mas tem outro papel na saga, talvez mais cruel e obstinado que o palhaço insano de Ledger. A insanidade, por falar nisso, está lá, como deveria estar. Batman, Mulher Gato, Bane, Gordon, todos malucos, cada um a seu modo. O único que parece não se encaixar nesse perfil de loucura é um dos policiais, responsável por uma das melhores surpresas (e acredite, há algumas) do filme.  Há personagens que realmente parecem não se encaixar em um contexto e são eternamente condenados por muitos. Mas Nolan dá um jeito até nisso.

Comentários

comentários

Powered by Facebook Comments

Últimos posts

under