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Crítica: A Era do Gelo 4

Ao contrário do que o pessoal da Pixar pensa, é muito complicado se manter no mercado de animações por computador. Afinal, não é todo mundo que consegue ter uma veia criativa sobre-humana como a da galera lá da casa do Buzz Lightyear.

Cientes dessa limitação, e com contas pra pagar, tanto a Blue Sky Studios (Horton e o Mundo dos Quem, Robôs) como a DreamWorks Animation (O Espanta-Tubarões, Os Sem-Floresta) preferem não arriscar muito, se agarrando na primeira franquia que começa a fazer sucesso. Por isso que de tempos em tempos aparece um Madagascar, um Kung Fu Panda ou um novo Shrek (ou seus derivados, como Gato de Botas). O que nos leva ao surgimento de A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift).

Crítica: A era do gelo 4

Manny, Diego, Sid e os novos personagens de A Era do Gelo 4

De volta ao mundo pré-histórico, acompanhamos mais uma aventura ao lado do mamute Manny, Sid, a preguiça e o Tigre Dente de Sabre Diego. Dessa vez, após mais uma tentativa do insano esquilo Scrat por as mãos em uma noz, os continentes se separam e várias calotas de gelo começam a se desprender da terra, uma delas levando o trio de protagonistas junto com um dos novos e melhores personagens: A engraçadíssima avó de Sid, Granny (no original, dublada pela atriz Wanda Sykes, a Barbara da série The New Adventures of Old Christine).

Apostando novamente no formato “diversão para toda a família”, A Era do Gelo 4 não tenta fazer piadinhas de referência ou ser forçadamente inteligente. A maior parte do humor é infantil mesmo, com bichinhos gritando, apanhando, tropeçando e fazendo coisas melequentas (que nem chegam a ter um aspecto nojento). Para os mais crescidinhos restam as curtas e sempre divertidas aparições de Scrat e Granny, que rouba todas as cenas em que aparece no longa (a que ela se vê indo em direção a um grupo de “sereias” é simplesmente genial).

Já os fãs de Game Of Thrones que esperam pelo recall de A Dança dos Dragões, podem curtir a presença vocal do ator Peter Dinklage, o pequeno Tyrion Lannister da série para TV, que aqui (se conseguir achar uma cópia legendada do filme) empresta a voz para o vilão Capitão Gutt, um macaco pirata que enfrenta os heróis da história.

Crítica: A era do gelo 4

A turma do Capitão Gutt. Sem cantar, por favor.

Comandado por Andrew Hickson, o setor de design do longa volta a mostrar porque é um dos diferenciais do estúdio. Unido à direção de arte do competente Nash Dunnigan e ao 3D, que desta vez não é estereoscópico como em A Era do Gelo 3, o visual do filme não deixa a desejar em comparação com nenhum longa da Pixar, aproveitando bastante da profundidade de campo ampliada pelos óculos mágicos, arremessando uma ou outra coisa na tela e entregando personagens muito bem trabalhados e totalmente compráveis pela criançada.

Infelizmente, esse trilho econômico que dita o rumo que A Era do Gelo 4 deve tomar, faz com que o longa não se arrisque demais, criando uma trama boba e deixando até espaço para uma mensagem para os mais novos com cara de programa da Hannah Montana (e que se repete na trilha do filme, que ficou por conta de Jennifer Lopez). Sobra até tempo para que o vilão apresente seus planos através de um ridículo número musical. Algo que eu pensava já ter sido extinto.

Com apenas mais um sucesso dentro do cardápio de opções, o fraco Rio (que já tem uma sequência agendada), é totalmente compreensível ver uma produtora optar pelo garantido (até porque, Horton e o Mundo dos Quem, seu melhor e mais pensante filme, teve um lucro bastante modesto). Mas assim como aconteceu com a “saga” Shrek, uma hora o certo se torna cansativo e pouco rentável. E para uma franquia como esta, que nunca foi uma unanimidade, o risco da repetição acaba sendo até maior. Resumindo: A Era do Gelo já deu o que tinha de dar.

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