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Crítica: A Casa Silenciosa

Esta crítica é baseada em fatos reais.

Na década de 40 no Uruguai, os corpos de dois operários foram encontrados dentro de uma casa em um pequeno vilarejo. Ao lado dos corpos a polícia encontrou várias fotos tiradas com uma máquina polaroide e desde então o caso se tornou um mistério.

2010.

Gustavo Hernández escreve e dirige La casa muda, um thirller de terror inspirado na história verídica dos tais operários uruguaios que foram assassinados. Interessante e claustrofóbico, o longa consegue prender a atenção do espectador com seu clima apreensivo, sequências praticamente sem cortes e cenários iluminados apenas com uma luz de lampião.

Florencia Colucci vivendo a protagonista de La casa muda.

2012.

Chris Kentis, diretor do fraco Mar Aberto, fica a cargo de refazer La casa muda para um formato aceitável para o público norte-americano.

Agora.

A casa silenciosa (Silent House), versão Obama do filme uruguaio, estreia no Brasil carregado de algumas das mesmas armas de marketing usadas na gringa.

Usando da mesma malandragem do clássico Hitchcockiano Festim Diabólico, o longa parece ter sido filmado em um único take e foi até vendido desta forma. Mas isso claramente não é verdade. Qualquer olhar mais clínico consegue perceber os pontos de edição quer seja nas passagens de dentro pra fora da casa, ou em algumas jogadas menos descaradas. Mas, se ainda tiver dúvida, basta saber que levaram 5 dias para filmar todas as cenas do longa.

Espertamente, Kentis consegue manter o tom de tensão do original aqui, nos deixando sempre esperando por algum susto, criando algumas sequências até bastante inventivas. Infelizmente, o roteiro escrito por Hernández e retocado por Laura Lau (Mar aberto) para o público dos states cria nova situações completamente patéticas para explicar o que fica apenas no ar ao final do filme original, tendo que inserir personagens e diálogos completamente desnecessários apenas para se tornar mais didático.

Sarah, John e Peter, os personagens principais do remake antes do bicho começar a pegar.

Nas mãos da desconhecida Elizabeth Olsen (e sim, ela é irmã das gêmeas Olsen), o clima de desespero em A casa silenciosa não perde a medida mas também não nos mostra nada de novo. Algo que dentro da Tsunami de filmes de terror atuais é quase louvável.

Já o design de som da produção sim, merece destaque. Como conseguimos ver pouco mais do que um palmo a frente do nariz da protagonista, a ambientação sonora é que dá o clima pro filme com barulhos de passos e portas com profundidades que nos fazem entender se estão perto ou longe da mocinha. E é interessante notar como este sons, pontuais, também contrastam com o clima de isolamento que a casa proporciona, já que são os únicos sinais de vida por ali. O que neste caso, não é lá uma grande vantagem.

Sabotado pelo beabá imposto pela alfandega cultural dos Estados Unidos, A casa silenciosa consegue se manter tão tenso quanto o original, mas perde por explicar de forma extremamente fraca e desnecessariamente grandiosa algo que só precisava de um pouco mais de vontade para ser entendido. Infelizmente, é outro caso onde os dólares a mais na produção acabam sendo gastos apenas em efeitos especiais.

OBS: Vale a dica de assistir o original, La casa muda, antes ou depois do remake como exercício de comparação.

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